sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Gergelim é cultura!!

Pouco desenvolvida e emergente no Brasil, a cadeia produtiva do gergelim apresenta inúmeros problemas e o maior deles é a competitividade.


Matéria-prima utilizada no processamento de diversos produtos como óleos, tahine (produto que substitui a manteiga, maionese e creme de leite),  pães, biscoitos, dentre vários outros produtos que são pouco conhecidos pela maioria dos consumidores. Sua comercialização é antiga, sendo difundido no Brasil na primeira instalação da McDonalds no país, mais precisamente na década de 80. A partir desse momento o país começou a sentir a importância do gergelim para o setor e o crescimento da cultura se deve basicamente, em seu início, ao consumo principalmente do pão de hambúrguer. Foi nesse momento que as empresas de fast-food começaram a exigir garantias para produtores que produzissem dentro das necessidades deles, abrindo um novo segmento no mercado brasileiro que trouxe alternativas a diversos agricultores do país, mas principalmente ao Centro-Oeste onde se encontra a maior concentração e desenvolvimento da cultura atualmente.

A cadeia produtiva do gergelim, por ser pouco desenvolvida e emergente no Brasil, possui problemas de grande relevância. Porém, um dos que mais se destacam é a competitividade dentro do país e em relação a outros países produtores. Ao dividi-la em setores, fica claro que os problemas se encontram por toda sua extensão.

Por sua tolerância à seca e facilidade de cultivo, apresenta alto potencial agronômico, podendo ser usado em rotação e sucessão de culturas, consorciado com o algodão. Mas mesmo tendo vantagem neste aspecto, o Brasil apresenta safras que não dão suporte ao consumo interno, fazendo com que haja a necessidade de importação do produto. Portanto, seria interessante expandir a produção de gergelim no Brasil de modo a suprir o mercado interno que cresce cada vez mais, e principalmente o mercado externo (países ricos de clima frio, não apropriados para o cultivo), buscando atingir tais mercados.

O cultivo brasileiro de gergelim concentra-se nas mãos de poucos produtores, que detêm a maior parte da produção, com isso torna-se difícil sua coordenação, enfraquecendo assim, sua comercialização. Isto é, o poder de barganha do produtor frente a grandes empresas compradoras e processadoras do óleo diesel, é bem reduzido. Nesse caso, sugere-se que os produtores se organizem em associações e cooperativas a fim de fomentar o cultivo do gergelim de modo que aumente sua rentabilidade, produtividade, qualidade e eficiência. Outra forma de expandir o ganho dos produtores seria a agregação de valor à cultura, pois existe um mercado em potencial ainda pouco explorado.

domingo, 21 de agosto de 2011

Carta do agricultor Zé para Luis da cidade

Todos os fatos e situações de multas e exigências são baseados em dados verdadeiros. A sátira não visa atenuar responsabilidades, mas alertar o quanto o tratamento ambiental é desigual e discricionário entre o meio rural e o meio urbano.

Luis,
Quanto tempo. Sou o Zé, seu colega de ginásio, que chegava sempre atrasado, pois a Kombi que pegava no ponto perto do sítio atrasava um pouco. Lembra, né, o do sapato sujo. A professora nunca entendeu que tinha de caminhar 4 km até o ponto da Kombi na ida e volta e o sapato sujava.

Lembra? Se não, sou o Zé com sono… hehe. A Kombi parava às onze da noite no ponto de volta, e com a caminhada ia dormi lá pela uma, e o pai precisava de ajuda para ordenhá as vaca às 5h30 toda manhã. Dava um sono. Agora lembra, né Luis?!

 Pois é. Tô pensando em mudá ai com você.

Não que seja ruim o sítio, aqui é uma maravilha. Mato, passarinho, ar bom. Só que acho que tô estragando a vida de você Luis, e teus amigo ai na cidade. To vendo todo mundo fala que nóis da agricultura estamo destruindo o meio ambiente.

Veja só. O sitio do pai, que agora é meu (não te contei, ele morreu e tive que pará de estuda) fica só a meia hora ai da Capital, e depois dos 4 km a pé, só 10 minuto da sede do município. Mas continuo sem Luz porque os Poste não podem passar por uma tal de APPA que criaram aqui. A água vem do poço, uma maravilha, mas um homem veio e falo que tenho que faze uma outorga e paga uma taxa de uso, porque a água vai acabá. Se falo deve ser verdade.

Pra ajudá com as 12 vaca de leite (o pai foi, né …) contratei o Juca, filho do vizinho, carteira assinada, salário mínimo, morava no fundo de casa, comia com a gente, tudo de bão. Mas também veio outro homem aqui, e falo que se o Juca fosse ordenha as 5:30 tinha que recebe mais, e não podia trabalha sábado e domingo (mas as vaca não param de faze leite no fim de semana). Também visito a casinha dele, e disse que o beliche tava 2 cm menor do que devia, e a lâmpada (tenho gerador, não te contei !) estava em cima do fogão era do tipo que se esquentasse podia explodi (não entendi ?).

A comida que nóis fazia junto tinha que faze parte do salário dele. Bom, Luis tive que pedi pro Juca voltá pra casa, desempregado, mas protegido agora pelo tal homem. Só que acho que não deu certo, soube que foi preso na cidade roubando comida. Do tal homem que veio protege ele, não sei se tava junto.

Na Capital também é assim né, Luis? Tua empregada vai pra uma casa boa toda noite, de carro, tranquila. Você não deixa ela morá nas tal favela, ou beira de rio, porque senão te multam ou o homem vai aí mandar você dar casa boa, e um montão de outras coisa. É tudo igual aí né?

Mas agora, eu e a Maria (lembra dela, casei ) fazemo a ordenha as 5:30, levamo o leite de carroça até onde era o ponto da Kombi, e a cooperativa pega todo dia, se não chove. Se chove, perco o leite e dô pros porco.

Té que o Juca fez economia pra nóis, pois antes me sobrava só um salário por mês, e agora eu e Maria temos sobrado dois salário por mês. Melhoro. Os porco não, pois também veio outro homem e disse que a distancia do Rio não podia ser 20 metro e tinha que derruba tudo e fazer a 30 metro. Também colocá umas coisa pra protege o Rio. Achei que ele tava certo e disse que ia fazê, e sozinho ia demorá uns trinta dia, só que mesmo assim ele me multo, e pra pagá vendi os porco e a pocilga, e fiquei só com as vaca. O promotor disse que desta vez por este crime não vai me prendê, e fez eu dá cesta básica pro orfanato.

O Luis, ai quando vocês sujam o Rio também paga multa né?

Agora a água do poço posso pagá, mas to preocupado com a água do Rio. Todo ele aqui deve ser como na tua cidade Luis, protegido, tem mato dos dois lado, as vaca não chegam nele, não tem erosão, a pocilga acabo …. Só que algo tá errado, pois ele fede e a água é preta e já subi o Rio até a divisa da Capital, e ele vem todo sujo e fedendo ai da tua terra.

Mas vocês não fazem isto né Luis. Pois aqui a multa é grande, e dá prisão.

Cortá árvore então, vige. Tinha uma árvore grande que murcho e ia morre, então pedi pra eu tira, aproveitá a madeira pois até podia cair em cima da casa. Como ninguém respondeu ai do escritório que fui, pedi na Capital (não tem aqui não), depois de uns 8 mes, quando a árvore morreu e tava apodrecendo, resolvi tirar, e veja Luis, no outro dia já tinha um fiscal aqui e levei uma multa. Acho que desta vez me prende.

Tô preocupado Luis, pois no radio deu que a nova Lei vai dá multa de 500,00 a 20.000,00 por hectare e por dia da propriedade que tenha algo errado por aqui. Calculei por 500,00 e vi que perco o sitio em uma semana. Então é melhor vende, e ir morá onde todo mundo cuida da ecologia, pois não tem multa ai. Tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazê nada errado, só falei das coisa por ter certeza que a Lei é pra todos nois.

E vou morar com vc, Luis. Mais fique tranqüilo, vou usá o dinheiro primeiro pra compra aquela coisa branca, a geladeira, que aqui no sitio eu encho com tudo que produzo na roça, no pomar, com as vaquinha, e ai na cidade, diz que é fácil, é só abri e a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisá de nóis, os criminoso aqui da roça.

Até Luis.

Ah, desculpe Luis, não pude mandar a carta com papel reciclado pois não existe por aqui, mas não conte até eu vendê o sitio.

Por AMBIENTE BRASIL (www.ambientebrasil.com.br) - Luciano Pizzatto

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Gigante pela Própria Arquitetura

Texto escrito pela Elen Campos que retrata a grandeza do Mineirão com a torcida do GALO e devidamente liberado pela mesma para divulgação (já as imagens são por conta da casa!).


Ir a estádio pequeno para ver seu time jogar é bacana, principalmente pela excelente visibilidade do jogo. Mas há outros prazeres. O de ouvir o barulho da bola sendo chutada pelo zagueiro, e o estrondo que ela faz quando encontra o travessão. Nó! Pode-se também gritar alto quando houver um mínimo silêncio da multidão e se fazer ouvir pelo jogador mais próximo. Pode-se, inclusive, xingar o torcedor adversário e ver na cara dele que ficou com raiva mesmo. Mas pra mim a graça de ir à Vila Belmiro, Parque Antártica e Pacaembu não vão muito além daí. Acho até que eles diminuem a importância do jogo por serem, assim, tão pequenos.


Ir ao Mineirão é descer longe, ir caminhando rápido, passar pela cavalaria, ver os varais com camisas e bandeiras estendidas pelos ambulantes, ouvir um foguete no meio do caminho, gritar GALO ao mesmo tempo, passar por mais cavalaria, trombar com uma cara de felicidade atrás da outra.

Ir ao Mineirão é chegar perto, olhar para cima e se sentir um cisco. É parar e esperar o mais esperto do grupo ir à bilheteria e comprar ingresso. Sentir frio na barriga com medo de ele não conseguir. É pegar os ingressos na mão como se fossem de ouro. É rumar para os grandes portões, enfrentar uma fila desordenada, espremer-se para alcançar a catraca e torcer para o ingresso não engasgar logo na sua vez. É ficar aliviado quando passa, é em seguida ser revistado por policial.


Ir ao Mineirão é dar um suspiro por já estar do lado de dentro. É subir as primeiras escadas com coração palpitando, como se fosse entrar em campo. Subir as escadas seguintes ouvindo a torcida entoando suas músicas cada vez mais alto, cada vez mais perto. Subir as últimas escadas com impaciência e de repente ver a luz. Dar cara com aquele colosso de concreto, cadeiras coloridas e gente. Muita gente.

Ir ao Mineirão é achar que encontrou o melhor lugar possível. É já poder cantar junto com a torcida, já poder reparar nas faixas colocadas, já poder observar a entrada da Galoucura. É poder olhar para a torcida adversária, de longe, cantando em vão, pequenininha perto da magnitude da torcida atleticana. É sentir parte de um todo. É ter a certeza de que sozinho você não é ninguém. É pensar que daqui a alguns minutos seu time vai jogar diante dos seus olhos.

Ir ao Mineirão é visceral. Não importa o jogo, nem depende do placar, é colecionar uma passagem digna dos momentos mais marcantes da vida. Campo pequeno, visibilidade sem óculos, gritar sozinho e ser ouvido pelo alvo é para os fracos.

Ah, Mineirão, que saudade…




Autora: Elen Campos (no twitter @ElenCAM)


PS: Essa é uma postagem "extra" (não relacionada ao agronegócio).